A lei de segurança de IA aprovada pelo Senado de Massachusetts em julho de 2026 colocou as três maiores empresas do setor em campos opostos: a Anthropic saiu em defesa do texto — considerado o mais rigoroso dos Estados Unidos — enquanto a OpenAI e o Google fazem oposição formal. É a primeira ruptura pública documentada entre Anthropic e seus principais concorrentes em uma questão regulatória.

O projeto integra um pacote mais amplo de desenvolvimento econômico do estado que inclui US$ 75 milhões destinados ao setor de IA de Massachusetts.

O que a lei de segurança de IA de Massachusetts exige

A lei de segurança de IA tem escopo restrito: mira desenvolvedores de modelos frontier com faturamento superior a US$ 500 milhões em receita derivada de IA ou investimento superior a US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento. As exigências são três:

  1. Publicação de frameworks de segurança com foco em riscos catastróficos — os desenvolvedores devem tornar públicas suas análises de risco, não apenas reportar incidentes após o fato;
  2. Poder de fiscalização concedido ao procurador-geral do estado, que poderá abrir investigações e aplicar multas;
  3. Auditorias independentes a cada quatro a seis meses para avaliar os modelos — não apenas anuais como em outros estados.

A Anthropic chamou a proposta de "a mais robusta do país". Cesar Fernandez, diretor de relações governamentais estaduais e locais da empresa, declarou: "O setor não deveria ser juiz em causa própria." Para reforçar esse posicionamento, a Anthropic fez contribuições de mais de US$ 120 mil a parlamentares democratas de Massachusetts em agosto de 2026.

OpenAI e Google resistem à lei de segurança de IA

A OpenAI enviou cartas a parlamentares defendendo alternativas mais brandas — especialmente o modelo de Illinois, que exige apenas auditorias anuais de terceiros, sem frameworks de risco públicos nem poder de fiscalização estadual. O principal argumento da empresa: a lei de segurança de IA fragmentada estado por estado cria regras inconsistentes e pode atrasar lançamentos de modelos em todo o país.

O Google se alinhou à OpenAI na oposição sem apresentar proposta alternativa pública.

O contexto legislativo nacional é relevante: o Congresso federal tentou, em 2025, aprovar uma moratória de 10 anos que impedisse estados de legislar sobre IA — e foi rejeitado. Com isso, estados como Massachusetts, Califórnia e Texas avançam com propostas próprias, criando o mosaico regulatório que as grandes empresas querem evitar. A CSET de Georgetown mapeou mais de 40 projetos de lei estaduais sobre IA nos EUA só em 2025.

Por que isso importa para o seu negócio

A lei de segurança de IA de Massachusetts não vai regular diretamente pequenas empresas — o limite de US$ 500 milhões de receita exclui a esmagadora maioria. Mas há impactos indiretos que todo empreendedor que usa IA precisa acompanhar:

1. Custo de compliance vai subir na cadeia. Quando modelos frontier precisam publicar frameworks de risco e contratar auditorias frequentes, parte desse custo é repassada nos preços de APIs e produtos. Empresas que usam OpenAI, Anthropic ou Google como infraestrutura podem ver seus custos operacionais subirem.

2. Diferenciação de mercado em setores regulados. A posição da Anthropic de apoiar a lei de segurança de IA mais rigorosa enquanto a OpenAI resiste pode influenciar decisões de compra em saúde, financeiro e jurídico — setores onde o posicionamento regulatório do fornecedor importa tanto quanto o desempenho técnico.

3. O mosaico estadual dos EUA é um laboratório para o mundo. O que acontece em Massachusetts em 2026 tende a informar legislações em outros países — incluindo o Brasil, que ainda elabora seu marco regulatório de IA. Entender as diferentes abordagens ajuda a antecipar em qual direção o regulador brasileiro pode caminhar.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: PYMNTS