No dia 29 de agosto de 2025, criminosos realizaram um ataque hacker ao Pix que resultou no desvio de cerca de R$ 420 milhões. O alvo foi a Sinqia, empresa de tecnologia financeira que conecta bancos e fintechs ao Banco Central. Com o golpe, o HSBC acumulou um prejuízo de R$ 380 milhões, e a fintech Artta perdeu outros R$ 40 milhões.
O Banco Central agiu rápido: detectou as transações suspeitas, cortou a conexão da Sinqia com a rede do Sistema Financeiro Nacional e conseguiu bloquear R$ 350 milhões. Ainda assim, cerca de R$ 70 milhões continuam sem recuperação, e a Polícia Federal foi acionada para identificar os responsáveis.
Como o ataque hacker ao Pix foi executado
Segundo fontes ligadas às investigações citadas pelo G1, os criminosos exploraram vulnerabilidades nos servidores da Sinqia — empresa intermediária entre as instituições financeiras e o Banco Central no processamento do Pix. A partir desse acesso, foi possível disparar transferências não autorizadas de grande volume.
Especialistas apontam a suspeita de um ataque à cadeia de suprimentos, modelo no qual o alvo não é o banco diretamente, mas um fornecedor com acesso privilegiado ao sistema. Em julho de 2025, a C&M Software foi vítima de golpe idêntico, com desvio de quase R$ 1 bilhão.
A Sinqia confirmou o incidente em nota oficial: "Neste momento, verificamos que o incidente se limita apenas ao ambiente Pix." A empresa acrescentou que trabalha com especialistas forenses e que não há evidências de comprometimento de dados pessoais de clientes.
A Sinqia foi adquirida pela americana Evertec em 2023 por cerca de R$ 2,4 bilhões. Recentemente, a Evertec comprou 75% da Tecnobank por R$ 785 milhões, ampliando sua presença na infraestrutura financeira brasileira.
O que muda para empresas e clientes do Pix
HSBC e Artta informaram que nenhum cliente foi afetado diretamente. As transações fraudulentas ocorreram na camada de integração entre as instituições e o BC, não nas contas de pessoas físicas. O Banco Central do Brasil reiterou que a infraestrutura central do Pix permanece segura.
O ataque hacker ao Pix coloca em foco uma pergunta direta para quem opera um negócio: você sabe quais fornecedores têm acesso ao seu fluxo financeiro? Dois episódios de grande escala em dois meses — R$ 420 milhões e quase R$ 1 bilhão desviados — mostram que o elo mais vulnerável muitas vezes está fora do banco.
Medidas práticas: revisar contratos com gateways e fintechs de integração, verificar coberturas de seguro para incidentes financeiros e manter um canal direto com o banco para comunicar movimentações suspeitas. A partir de fevereiro de 2026, novas regras do BC tornarão obrigatório o ressarcimento em casos de fraude Pix.
Por que isso importa para o seu negócio
O padrão de atacar a cadeia de suprimentos financeira não é acidental. Em vez de enfrentar a segurança dos grandes bancos, os criminosos miram fornecedores menores — mas com acesso privilegiado ao sistema. Dois ataques em dois meses confirmam que se trata de uma estratégia deliberada.
Para pequenas e médias empresas, o risco indireto é real: gateways de pagamento, fintechs e ERPs financeiros muitas vezes usam essas mesmas camadas de integração. Uma interrupção pode travar recebimentos e gerar instabilidade no caixa por horas ou dias. Diversificar meios de pagamento e manter reservas para cobrir janelas de indisponibilidade deixam de ser precaução e passam a ser gestão de risco concreta.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fonte: g1.globo.com





