O EnergyGPT, plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela Cemig com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e R$ 26 milhões de investimento, passou a fiscalizar na prática o que a inspeção manual não cobre: o técnico que cobra o serviço sem executá-lo.
Como o EnergyGPT Cemig identifica um reparo que nunca aconteceu
Um técnico terceirizado registra a conclusão da troca de um poste de energia elétrica às 15h02, apenas dois minutos após a chegada. Envia uma foto como comprovante, mas a imagem foi tirada a quilômetros do local onde o trabalho deveria ter sido feito. Em dois ou três minutos, o sistema detecta a discrepância. O alerta não vem de um fiscal humano, mas da própria plataforma de IA. O cenário, descrito pelo UOL Tilt, sintetiza o que a Cemig chama de "serviços não executados", uma das principais fontes de perda em redes elétricas com grandes contratos de terceirização.
No primeiro levantamento com o EnergyGPT Cemig, a empresa auditou mais de 500 serviços de campo, contra uma média anterior de 50 por amostragem manual. A concordância entre a análise da plataforma e a do engenheiro humano ficou em mais de 80%.
De menos de 10% para mais de 50%: a virada na fiscalização de campo
Desde o lançamento interno em março de 2026, a proporção de serviços de campo submetidos à validação automatizada subiu de menos de 10% para mais de 50% até julho. O EnergyGPT Cemig já reúne 1.115 contas cadastradas e cerca de 200 usuários ativos por semana, de um universo de aproximadamente 6.000 funcionários habilitados.
Segundo José Paulo Ramos Fernandes, gestor do núcleo de inovação em IA da Cemig, o sistema tem potencial de recuperação financeira média de R$ 9 por serviço auditado. Com a empresa atendendo 9,5 milhões de clientes em 774 municípios de Minas Gerais, essa cifra tem escala real.
Duas concessionárias já demonstraram interesse em licenciar a tecnologia, e a Aneel conversou com a estatal sobre o projeto. O presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, resumiu a visão durante o SXSW 2026, em Austin, onde a plataforma foi apresentada pela primeira vez: "Quem dominar redes digitais e inteligência energética vai liderar o crescimento econômico."
ONGs nos EUA também levam as finanças para dentro da IA
Fora do Brasil, a Crowded, plataforma financeira para organizações sem fins lucrativos, lançou em outubro de 2026 um conector MCP que permite consultar gastos, criar contas de fundos, preparar declarações fiscais e montar relatórios para conselhos direto no ChatGPT ou no Claude, sem sair do fluxo de conversa. O caminho é parecido com o que a startup brasileira Salvy fez na gestão de telefonia corporativa via o mesmo protocolo.
O CEO da Crowded, Daniel Grunstein, foi direto: "A oportunidade real está em trazer as finanças para o fluxo de trabalho com IA, sem dar mais autonomia à IA sobre o dinheiro." O conector está em beta como extensão personalizada para ChatGPT e Claude, sem custo extra além das taxas normais da Crowded.
Por que isso importa para o seu negócio
O EnergyGPT Cemig e o conector da Crowded apontam para o mesmo padrão: a IA mais útil hoje não responde perguntas genéricas. Ela fica conectada aos dados reais da operação, uma ordem de serviço em Minas Gerais ou um extrato de fundo numa ONG em Chicago, e entrega um resultado que muda a conta do mês.
Para qualquer empresa que contrata terceirizados, a fiscalização inteligente deixa de ser custo e vira mecanismo de recuperação financeira. Para organizações com equipes enxutas, a conversa em linguagem natural com os dados financeiros elimina um passo que antes exigia um profissional específico. O padrão está maduro; o passo que falta, na maioria das empresas, é a adoção.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
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