OpenAI, Anthropic e Microsoft apostaram bilhões num modelo novo: mandar engenheiros diretamente para dentro das empresas que querem adotar IA. A OpenAI criou uma divisão com US$ 4 bilhões em investimentos de 19 parceiros e 150 engenheiros de IA para empresas inicialmente. A Microsoft lançou a Frontier Company com US$ 2,5 bilhões e cerca de 6.000 engenheiros alocados em clientes. A Anthropic fechou parceria empresarial avaliada acima de US$ 1,5 bilhão com Blackstone, Hellman & Friedman e Goldman Sachs. A AWS comprometeu US$ 1 bilhão num grupo similar.

O problema: um estudo do MIT mostra que cerca de 95% dos pilotos de IA em grandes empresas não geraram nenhum impacto mensurável no lucro. Praveen Jonnala, CIO da Vistance Networks, publicou na CIO.com em outubro de 2026 um artigo com título direto: "Parem de me mandar engenheiros."

O que os engenheiros de IA para empresas realmente entregam

O argumento de Jonnala não é contra a IA. É contra um modelo de entrega com incentivos errados. Essas equipes são medidas por pilotos convertidos em produção num trimestre. Entregam vitórias pontuais, como um sistema que reduz chamados de suporte em 30%. O valor real, como melhora no fluxo de caixa ou queda no capital de giro, aparece em outras funções dois trimestres depois.

O exemplo que ele usa: um modelo de previsão de demanda melhorou a acurácia em dois dígitos percentuais. O caixa não mudou até a empresa redesenhar as decisões operacionais inteiras: estoque de segurança, compromissos com fornecedores, programação de produção. Um engenheiro externo que otimizasse apenas a taxa de preenchimento poderia até elevar o estoque e piorar o capital de giro.

O mercado de trabalho confirma o investimento: segundo a Dice, vagas com o título "forward-deployed engineer" cresceram 800% em nove meses. Cargos sênior nessa área chegam a US$ 1,2 milhão por ano.

A Salesforce mostra outro caminho: a empresa estima gastar próximo de US$ 300 milhões em tokens da Anthropic em 2026, principalmente para tarefas de código. O CEO Marc Benioff disse que a empresa parou de contratar novos engenheiros de software em 2025. Mais de 15.000 engenheiros trabalham junto com ferramentas de IA e a produtividade subiu 30%. Nesse modelo, ninguém mandou engenheiros externos: a própria equipe foi treinada.

Por que isso importa para o seu negócio

A pergunta que Jonnala propõe como teste: quando o engajamento externo com engenheiros de IA para empresas termina, a empresa consegue encontrar seu próximo problema por conta própria? Se não consegue, a dependência foi entregue como produto.

Para empresas brasileiras de médio porte, a mensagem prática é que o investimento mais rentável pode não ser contratar uma divisão de engenheiros externos. A alternativa é treinar quem já domina os processos internos para usar as ferramentas disponíveis. Conhecimento de negócio leva anos para construir. Habilidades básicas de uso de IA podem ser aprendidas em semanas por quem já tem o contexto.

O estudo do MIT diz que a lacuna não é de tecnologia. É de capacidade organizacional de transformar uma análise correta numa decisão operacional melhor.

Para aprofundar o tema de IA no contexto corporativo, veja Mistral IA para empresas: como a startup europeia treina modelos com seus dados corporativos e Meta Enterprise Platform: Zuckerberg entra no mercado corporativo de IA.

Fonte: CIO.com - Stop sending me engineers


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: CIO.com