A extensão Claude Code maliciosa (versão 2.1.313) foi distribuída pelo marketplace do editor de código Cursor por 11 horas no dia 29 de outubro de 2026, entre 09:27 e 20:35 UTC. Nesse período, até 5.000 desenvolvedores instalaram ou atualizaram a extensão sem saber que ela carregava um backdoor SSH. A Anthropic negou comprometimento de seus sistemas internos e atribui o ataque a um agente externo que obteve acesso ao canal de distribuição da Cursor.

O que a extensão maliciosa fazia

A extensão Claude Code maliciosa executava um loader JavaScript injetado no início do arquivo extension.js. Três ações seguiam em sequência.

Coleta de dados. Enviava para um servidor do atacante (IP 134.209.82.225, porta 8099, caminho /beacon) o nome do computador, o usuário, o sistema operacional, a arquitetura, o IP público, o e-mail do Git e os nomes (não os valores) de variáveis de ambiente com termos como KEY ou TOKEN.

Backdoor SSH. Adicionava uma chave pública do invasor, identificada pelo comentário svc-telemetry, ao arquivo ~/.ssh/authorized_keys. Em seguida, tentava ativar o serviço SSH local e abrir um túnel reverso para o servidor do atacante, repetindo a tentativa a cada 60 segundos.

Persistência. No macOS, instalava um LaunchAgent em ~/Library/LaunchAgents/com.apple.sysmond.plist. No Windows, criava uma tarefa agendada chamada SysMon e copiava um script na pasta de inicialização. No Linux, inseria uma entrada @reboot no crontab. Esses mecanismos ficam no sistema mesmo depois de desinstalar a extensão.

Quem foi afetado e por quanto tempo

A Cursor estima que até 5.000 usuários foram expostos. Os pacotes adulterados eram os de macOS Apple Silicon (darwin-arm64) e Windows 64 bits (win32-x64). Segundo a empresa, as versões no VS Code Marketplace da Microsoft, no npm e no registro Open VSX não foram modificadas.

O incidente foi identificado pelo pesquisador Kevin Beaumont e pela fornecedora de EDR Phorion. A Cursor removeu a versão 2.1.313, desligou temporariamente o marketplace para auditoria, rotacionou suas próprias chaves e trabalhou com o provedor de hospedagem para derrubar o servidor do atacante. A versão 2.1.314, sem o código malicioso, foi disponibilizada em seguida.

Por se tratar de um ataque à cadeia de suprimentos de ferramentas de IA, a versão adulterada chegava pela rota de atualização normal, sem qualquer sinal de anomalia. A Morphisec publicou um relatório técnico com os indicadores de comprometimento.

Por que o acesso remoto falhou na maioria dos casos

O túnel SSH reverso precisava de privilégios de administrador para ativar o SSH local. No macOS, o comando correspondente retornava erro de permissão. No Windows, o script tentava rodar pelo caminho /bin/sh, inexistente em instalações padrão. Na maioria das máquinas, o túnel não se estabeleceu.

A chave do atacante e os mecanismos de persistência, porém, foram instalados de qualquer forma. Onde o SSH já estava ativo, o acesso foi silencioso e completo. Incidentes anteriores com chaves de API expostas em ferramentas de desenvolvimento provam que credenciais de desenvolvedor têm alto valor como ponto de entrada para infraestruturas corporativas.

Felix Rieseberg, da equipe da Anthropic, declarou no X: "it wasn't a compromise of Anthropic's systems or employee laptops." A empresa afirma que um agente malicioso usou o canal da Cursor para publicar a versão adulterada.

Por que isso importa para o seu negócio

A máquina de um desenvolvedor acessa repositórios de código, ambientes de produção, serviços em nuvem e dezenas de chaves de API. Um backdoor instalado por uma extensão Claude Code maliciosa equivale a uma porta aberta para toda a infraestrutura da empresa, sem deixar rastro visível na superfície.

O vetor desse ataque não precisou de engenharia social. Nenhum link suspeito, nenhum arquivo desconhecido: a atualização automática de extensões, ativada por padrão no Cursor, foi o único gatilho. Segundo o Stack Overflow Developer Survey de 2025, mais de 1 em cada 3 desenvolvedores profissionais usa ferramentas de IA integradas ao editor de código. Esse número amplia o raio de alcance de ataques desse tipo. A Claude é uma das ferramentas mais adotadas nesse segmento, o que torna seu nome valioso para falsificações.

A Morphisec prevê que ataques direcionados a plugins de IDEs com IA vão crescer junto com a adoção dessas ferramentas em equipes de desenvolvimento.

Como verificar e limpar sua máquina

Verificação: abra ~/.ssh/authorized_keys e procure a entrada com o comentário svc-telemetry. No Windows, verifique também C:\ProgramData\ssh\administrators_authorized_keys. Se a chave estiver lá, trate a máquina como comprometida. Usuários da extensão Claude Code pelo marketplace do Cursor entre 09:27 e 20:35 UTC de 29 de outubro devem fazer a checagem mesmo sem sintomas visíveis.

Limpeza:

  1. Isole a máquina da rede.
  2. Execute o script da Cursor: remediate-macos.sh (sem sudo) no macOS ou remediate-windows.ps1 como administrador no Windows.
  3. Atualize para a versão 2.1.314. Desinstalar a extensão sozinha não remove a persistência.
  4. A partir de um dispositivo limpo, troque todas as credenciais da máquina: chaves SSH, tokens do GitHub, chaves de API e senhas de serviços em nuvem.
  5. Se a máquina acessa produção, considere reconstruí-la a partir de um backup anterior a 29 de outubro.

Prevenção: desative a atualização automática de extensões com "extensions.autoUpdate": false nas configurações do Cursor e revise o changelog antes de cada atualização manual.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fontes: