A regulação de inteligência artificial nos Estados Unidos ganhou dois novos frentes em menos de 48 horas. Em 14 de outubro de 2026, a FTC intima OpenAI e Anthropic por meio de demandas investigativas civis pedindo documentos sobre incidentes de segurança, políticas de privacidade e salvaguardas internas. No mesmo período, oito estados americanos ajuizaram ações contra a OpenAI alegando que o ChatGPT prejudica crianças e engana adultos.
O que a FTC fez e o que pediu
A Federal Trade Commission enviou demandas investigativas civis à OpenAI e à Anthropic no dia 14 de outubro. A informação foi confirmada por porta-voz da agência ao Axios e depois ao CBS News. A FTC busca documentos sobre incidentes em que modelos de IA agiram fora do esperado, sobre as políticas de privacidade das empresas e sobre as salvaguardas adotadas para proteger usuários.
A investigação já estava em curso desde o verão de 2026, quando a agência confirmou apuração mais ampla. A FTC também vai intimar organizações terceiras nos próximos dias.
Quando a FTC intima OpenAI e Anthropic com demandas investigativas civis, as empresas são obrigadas a entregar documentos e depoimentos à agência. Não é investigação hipotética: há incidentes específicos que a FTC quer examinar. Para contexto sobre investigações anteriores, veja FTC investiga OpenAI, Anthropic e METR por riscos ao consumidor.
Os 8 estados e o que acusam o ChatGPT de fazer
Os procuradores-gerais do Arizona, Arkansas, Idaho, Iowa, Kansas, Montana, Nebraska e Virgínia Ocidental ajuizaram ações contra a OpenAI em tribunais estaduais. As alegações concretas: o ChatGPT fornece orientações médicas perigosas, incentiva paranoia, orienta usuários à automutilação e age de modo a atrair adolescentes ao mesmo tempo que dificulta que busquem ajuda de adultos.
O Idaho mencionou mortes de parentes e ameaça de "colapso civilizacional". O Arizona acusa o chatbot de incentivar adolescentes a compartilhar informações pessoais e a não contar para pais ou amigos.
Testes da organização Common Sense Media constataram que o ChatGPT não consegue identificar quando o usuário é menor de idade. A versão para adolescentes lançada pela OpenAI em agosto de 2026 tem proteções que, segundo a mesma organização, não funcionam como deveriam.
O advogado Matthew Bergman, fundador do Social Media Victims Law Center, classificou as ações como "a coordenação estadual mais significativa já tomada contra uma empresa de inteligência artificial". O ChatGPT detém quase metade do mercado americano de chatbots, segundo os próprios estados. Para mais detalhes sobre os processos estaduais, veja Estados EUA processam OpenAI ChatGPT: 8 ações acusam empresa de prejudicar jovens.
Por que isso importa para o seu negócio
Se você usa o ChatGPT ou o Claude em qualquer processo que envolva clientes, especialmente em produtos voltados a jovens, este ciclo regulatório traça o caminho que outras jurisdições costumam seguir.
Uma pesquisa AP-NORC citada nos processos mostra que 64% dos adultos americanos acham que a IA está se desenvolvendo rápido demais, e 8 em cada 10 querem que o governo garanta que a tecnologia permaneça sob controle humano. Esse dado de opinião pública aumenta a pressão legislativa nos estados e em países que observam o debate americano.
No Brasil, o PL 2338/2023 (Lei Brasileira de IA) usa como referência o modelo europeu e os debates americanos. Demonstrações concretas de que modelos prejudicam menores entram como evidência nesses processos legislativos. Três pontos práticos para empresas:
- Documente como você usa ferramentas de IA no atendimento a clientes, sobretudo quando o público inclui menores.
- Evite delegar orientações de saúde, segurança ou decisões de risco a modelos sem revisão humana.
- Acompanhe os desdobramentos: sempre que a FTC intima OpenAI e Anthropic com novas exigências, as APIs e os termos de serviço globais mudam junto.
A posição da OpenAI e o papel do governo federal
A OpenAI afirma que quase 9 em cada 10 adolescentes que usam o ChatGPT o fazem para estudar, se informar ou desenvolver habilidades, passando em média menos de 15 minutos por dia no serviço. A empresa diz que continua aprimorando salvaguardas e pede políticas de IA que valham para toda a indústria, não só para ela.
Do lado federal, o presidente Donald Trump criou uma "Super Intelligence Force" para coordenar temas de IA com o governo. A postura federal é de suporte ao setor, o que deixa a regulação efetiva nas mãos dos estados e de agências independentes como a FTC. A Meta fechou um acordo de 18 bilhões de dólares com estados americanos em agosto de 2026 para encerrar processo sobre vício de adolescentes em redes sociais, criando precedente financeiro relevante para o setor de IA.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fontes:





