O Brasil não precisa de um ChatGPT próprio para vencer

O debate sobre IA no Brasil empreendedores mistura três objetivos distintos: desenvolver tecnologia nacional, disputar a liderança mundial em modelos de linguagem e transformar ferramentas disponíveis em produtividade real. Para quem tem um negócio, a diferença importa porque determina onde colocar a atenção agora.

Telma Woerle de Lima Soares, diretora executiva do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da UFG, e Paulo Ernani, diretor de operações da AVEX AI Lab, foram ouvidos pela Exame em 1° de outubro de 2026. A conclusão não é que o desenvolvimento nacional seja irrelevante. É que as duas apostas têm horizontes diferentes, e confundi-las pode levar uma empresa a esperar por um modelo que não vai chegar quando o mercado já decidiu.

Por que competir na fronteira custa caro

Treinar um modelo de linguagem do zero exige infraestrutura computacional que cresce a ritmo acelerado. Um estudo de 2024 publicado por pesquisadores da Epoch AI e da Universidade Stanford estimou que o custo dos treinamentos de fronteira dobrou aproximadamente a cada ano desde 2016. As maiores rodadas podem ultrapassar US$ 1 bilhão em 2027.

Há também o problema dos dados. Segundo Telma Soares, os conjuntos públicos em português disponíveis hoje não são suficientes para treinar, exclusivamente nesse idioma, um sistema na escala dos modelos internacionais. Combinar com outras línguas seria necessário. Esse limite não elimina a possibilidade de modelos nacionais. O que elimina é a ideia de que o Brasil pode construir um ChatGPT concorrente com o orçamento atual sem escolhas difíceis de foco.

Usar fica mais barato, desenvolver fica mais caro

Enquanto a fronteira encarece, o custo de usar modelos já treinados caiu em ritmo oposto. O AI Index 2025 de Stanford registrou redução de mais de 280 vezes no custo de inferência de sistemas equivalentes ao GPT-3.5 entre novembro de 2022 e outubro de 2024.

Para IA no Brasil empreendedores, isso significa que o acesso à tecnologia que antes custava caro para rodar está progressivamente mais barato. Você não precisa ser a OpenAI para colocar IA nos seus processos.

Paulo Ernani resume: "O Brasil não precisa que a tese de infraestrutura dê certo para capturar valor." Uma empresa pode automatizar atendimento, processos comerciais e análises internas sem fabricar chips, treinar modelo ou construir data center.

Por que isso importa para o seu negócio

O risco não está em perder a corrida dos modelos. Está em não adotar enquanto os concorrentes adotam.

"O risco real do Brasil é não adotar a tecnologia", disse Ernani à Exame. A janela de vantagem para IA no Brasil empreendedores está aberta agora, enquanto a maioria das empresas ainda opera sem IA. Quem entrar primeiro vai aprender mais rápido, ajustar os processos com mais dados e sair na frente quando a ferramenta virar commodity.

Ferramentas mal implementadas custam tempo e dinheiro sem retorno. O argumento não é usar por usar, mas entrar com critério antes que o mercado force a adaptação em condições piores.

A lei de IA no Brasil e o contexto regulatório devem acelerar a pressão por adequação nos próximos anos. Empresas que já operarem com IA terão mais facilidade para responder a essas exigências. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê cerca de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028 em infraestrutura, formação e inovação empresarial.

Onde o país pode criar vantagem real

Telma Soares identifica saúde, meio ambiente e biodiversidade como áreas onde o Brasil possui dados e conhecimento específicos para desenvolver IA com diferencial competitivo. São nichos onde um modelo treinado com dados brasileiros pode superar soluções genéricas.

Para IA no Brasil empreendedores de pequeno e médio porte, esse não é o debate mais urgente. O que importa é o que Ernani chama de reorganização ao redor da tecnologia: "Se a tese estiver certa, o maior vencedor não vai ser uma empresa de IA, vai ser a empresa comum que aprendeu a usá-la antes dos concorrentes."

Segundo estimativas do setor, a IA pode somar R$ 986 bilhões ao PIB brasileiro até 2030. A fatia maior vai para quem estiver operando quando esse crescimento chegar.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: Exame