A IA reduz emprego de recém-formados em cursos de tecnologia nos Estados Unidos. Um estudo do Departamento do Censo americano, que analisou 29% dos diplomas de bacharelado emitidos entre 2016 e 2024, mostra que as chances de contratação para quem se formou em ciência da computação, engenharia de software e áreas afins caíram 5 pontos percentuais após o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022.
Esses profissionais não ficaram desempregados. Passaram a aceitar funções em setores com remuneração menor, como varejo e restaurantes, em vez de entrarem direto no mercado de tecnologia para o qual se prepararam.
O que os números revelam
O Banco da Reserva Federal de Nova York registrou que a taxa de desemprego entre todos os graduados nos EUA ficou em 2,9% em junho. Para os recém-formados nos cursos mais expostos à IA, o índice chegou a 5,7% no mesmo período, quase o dobro.
O estudo focou no grupo que representa os 10% dos cursos com maior exposição à inteligência artificial: ciência da computação, tecnologia da informação e engenharia de computação. Nesses cursos, a queda no emprego foi direta e rápida após o ChatGPT.
A tendência confirma que a IA reduz emprego de recém-formados principalmente nas carreiras de entrada em tecnologia. O fenômeno não age só pela automação, quando tarefas inteiras são delegadas à tecnologia: ela também muda o escopo do trabalho, tornando vagas de entrada menos requisitadas. "Se a IA automatizar essas tarefas, as empresas talvez contratem menos profissionais juniores e reorganizem a progressão de carreiras", afirmaram os economistas do estudo.
O fenômeno não é isolado. Empregos júnior já estão em crise por causa da IA e a CFO da OpenAI confirmou que a automação está cortando vagas dentro da própria empresa.
O mesmo estudo aponta um dado que atenua o cenário: após alguns anos, os profissionais que aceitaram funções de menor remuneração conseguem migrar para oportunidades melhores. O impacto da IA é mais intenso na entrada do mercado do que no médio prazo da carreira.
Por que isso importa para o seu negócio
A IA reduz emprego de recém-formados justamente nas funções que muitas empresas usam como porta de entrada: triagem, suporte técnico, análise de dados básica, desenvolvimento de funcionalidades menores. Se você terceirizava ou contratava juniors para essas tarefas, a questão é entender o que a automação absorveu e o que ainda deve ser um cargo de formação.
Para quem contrata: o mercado de tecnologia está rejeitando talentos que iriam entrar por funções juniores. Esses profissionais chegam ao varejo e ao setor de serviços. Há uma janela de acesso a pessoas qualificadas em lugares onde raramente apareciam.
Para quem está no mercado: ferramentas de IA que automatizam tarefas de entrada afetam qualquer empresa, não só as de tecnologia. A adaptação passa por desenvolver habilidades que a automação não substitui com facilidade: tomada de decisão, comunicação e gestão de contexto complexo.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
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