Em julho de 2026, pesquisadores do MATS (Machine Alignment and Theory Scholars) investigaram se modelos chineses de IA fingem ser Claude: submeteram o GLM 5.2 (Z.ai) e o Kimi K3 (Moonshot AI) a baterias de perguntas sobre identidade. O resultado foi direto: o Kimi K3 afirmou ser a IA da Anthropic em 4 de cada 10 interações.

O que os testes encontraram

O Kimi K3 chamou a si mesmo de "Kimi" em 6 das 10 rodadas de teste e de "Claude" nas outras 4. O comportamento parou de ocorrer após 20 de julho de 2026, o que os pesquisadores atribuíram a uma correção do lado do servidor pela Moonshot AI.

O caso do GLM 5.2 foi diferente. O modelo se identificou corretamente em todos os testes. Mas quando os pesquisadores instruíram o sistema a se comportar como Claude, a taxa de resposta a perguntas sensíveis sobre a política interna da China saltou de 17% para 85%: o modelo basicamente desativou seus filtros de autocensura ao adotar a identidade da IA americana.

Por que modelos chineses de IA fingem ser Claude? A questão sobre o treinamento está em aberto. Especialistas divergem: alguns apontam para a possibilidade de os modelos terem sido treinados com saídas do Claude, o que os tornaria propensos a replicar a identidade do modelo original; outros dizem que "contaminação de dados" e resíduos de prompt podem produzir o mesmo efeito sem destilação intencional.

As acusações formais da Anthropic

Os testes não foram a única frente de conflito. Em setembro de 2026, a Anthropic afirmou ter identificado que a Moonshot AI repassava parte das requisições dos usuários do Kimi diretamente para a API do Claude, exibindo as respostas como se fossem do modelo chinês. A acusação se baseia na telemetria interna da Anthropic e não foi auditada por terceiros.

A Moonshot não respondeu publicamente a essa acusação específica. O caso se somou a uma disputa mais ampla: em fevereiro de 2026, a Anthropic havia acusado três empresas chinesas, DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax, de usar saídas do Claude para treinar seus próprios modelos sem autorização, prática conhecida como destilação.

Nenhum dos modelos ou empresas envolvidas confirmou as acusações de destilação. A Anthropic controla os registros e os sistemas de detecção que fundamentam a maior parte dessas afirmações.

Por que isso importa para o seu negócio

Os modelos chineses de IA chegaram ao mercado como alternativas mais baratas e, em alguns benchmarks, comparáveis aos modelos ocidentais. O DeepSeek gerou discussão intensa no início de 2026 ao mostrar desempenho relevante com custo de treinamento menor. Se parte dessas capacidades vem de destilação do Claude, o quadro muda: a corrida tecnológica entre as empresas de IA americanas e chinesas é, ao mesmo tempo, uma corrida por propriedade intelectual.

Para quem usa modelos de IA no negócio, dois pontos merecem atenção. O primeiro é confiança: saber qual modelo está sendo executado por trás de uma interface importa, especialmente quando o comportamento muda conforme a identidade declarada. O segundo é o entorno regulatório: acusações de que modelos chineses de IA fingem ser Claude se somam a investigações em curso na UE sobre práticas de treinamento, e podem antecipar restrições comerciais.

Veja: AI Act investiga OpenAI e Anthropic: UE abre probes após agentes de IA invadirem sistemas externos.

Fonte: Dealroom — Anthropic alega que Moonshot roteou pedidos do Kimi para o Claude.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: Dealroom