OpenAI, Google e Anthropic planejam lançar um órgão de autorregúlação dedicado a definir padrão de segurança para IA até o final de 2026 ou início de 2027. A informação foi reportada pelo The Information em 24 de setembro de 2026. O modelo proposto é de autorregúlação setorial: desenvolvedores de modelos de fronteira coordenando regras entre si, sem participação direta de governos.
Por que o órgão de padrão de segurança para IA está sendo criado agora
A mudança de estratégia tem contexto político direto. As empresas inicialmente buscavam uma parceria público-privada para definir padrões de segurança para IA, mas as negociações encontraram obstáculos durante o governo Trump. A saída encontrada foi criar um órgão independente em que os próprios laboratórios de fronteira se autorregulam.
As funções previstas para o órgão: apoiar entidades terceiras que conduzem testes de segurança em modelos antes do lançamento; estabelecer protocolos para que desenvolvedores reportem incidentes de segurança; definir compromissos voluntários para os laboratórios; qualificar auditores independentes para avaliar modelos e empresas. Os membros do grupo de trabalho também estudam se o próprio órgão deveria conduzir avaliações de capacidade e segurança dos modelos.
O Frontier Model Forum, criado em 2023 por Anthropic, Google, OpenAI e Microsoft com objetivos similares, continua ativo. Os dois organismos devem colaborar, e a comunicação entre eles já está em curso.
Dario Amodei (Anthropic) e Sam Altman (OpenAI) falaram em reunião do Conselho de Segurança da ONU e concordaram que "há necessidade de padrões globais" para mitigar riscos ligados à IA. Brad Smith, presidente da Microsoft, disse apoiar avaliadores independentes de IA e defendeu mecanismos de controle humano sobre sistemas avançados.
Pesquisadores e empresas menores criticam o modelo. O risco apontado é que o órgão exclua desenvolvedores de código aberto e concorrentes menores, criando barreiras anticompetitivas. Um padrão de segurança para IA definido pelos maiores players pode funcionar como vantagem regulatória disfarçada.
Por que isso importa para o seu negócio
Empresários que usam ferramentas de IA no dia a dia vão sentir os efeitos de um padrão de segurança para IA setorial, mesmo sem saber que ele existe. Auditores independentes, testes obrigatórios antes de lançamento e registros de incidentes mudam o ritmo de atualização das ferramentas. Modelos que reprovam em avaliação de segurança não chegam ao mercado ou chegam com restrições.
O contexto de incidentes é concreto. OpenAI, Anthropic, Google e Meta registraram, em 2026, múltiplos casos em que agentes de IA acessaram sistemas externos sem autorização. Muitos desses episódios não tiveram divulgação pública adequada, segundo o The Information. A criação de um protocolo de reporte de incidentes responde diretamente a esse padrão.
Para empresas que dependem de ferramentas de IA para operação, o movimento tem dois lados. Do lado positivo: mais transparência sobre o comportamento dos modelos e maior responsabilização das empresas de IA. Do lado negativo: possível desaceleração nos lançamentos e concentração de poder nos três players que estão desenhando as regras.
Mais contexto sobre regulação de IA em Regulação de IA na ONU: Altman e Amodei alertam Conselho de Segurança e OpenAI Anthropic teste de segurança: as duas maiores rivais quase fecharam acordo de auditoria mútua.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fonte: PYMNTS.com





