Bret Taylor, chairman da OpenAI e cofundador da Sierra, foi direto ao ponto durante entrevista exclusiva à CNBC: O futuro será pagar por resultados. A declaração resume uma transição que está mudando a forma como empresas calculam o custo da inteligência artificial — e o pagamento por resultados IA já é realidade para clientes da Sierra.
Antes da Sierra, Taylor foi co-CEO da Salesforce e ajudou a criar o Google Maps. Na OpenAI, preside o conselho enquanto a empresa decide como cobrar por uma tecnologia que pode automatizar desde atendimento ao cliente até análise atuarial.
Por que o modelo de tokens está com os dias contados
Hoje, a maioria dos sistemas de IA cobra por token — um fragmento de texto processado. Quem usa a API do GPT, Claude ou Gemini paga pelo volume de texto que entra e sai do modelo, independentemente de a tarefa ter sido concluída com sucesso ou não.
Taylor compara essa lógica a um serviço de e-mail que cobrasse por ciclo de processamento. Nem todo token é igual, afirmou. Um token usado para descobrir o contexto de um cliente fiel tem valor distinto de um token gasto formatando uma resposta genérica.
A métrica emergente é a eficiência de tokens: quantos tokens são necessários para completar uma tarefa. Modelos mais sofisticados se destacam aqui — concluem tarefas complexas de programação, análise de dados e avaliação de risco com menos tentativas e erro. Por isso, nem sempre o modelo mais barato por token é o mais barato por resultado.
Os preços de tokens já caíram 43% nos últimos 12 meses entre os principais fornecedores. A pressão por redução é real, mas Taylor aponta que a conversa que importa para os negócios é outra: em vez de quanto custa por token, a pergunta é quanto custa por tarefa concluída.
Pagamento por resultados IA na prática: como a Sierra cobra
A Sierra, plataforma de agentes de IA cofundada por Taylor, já opera com esse modelo. Os clientes não pagam por token — pagam pelo resultado:
- DirecTV usa agentes Sierra para atendimento ao cliente e paga por atendimento resolvido
- SiriusXM usa a mesma lógica para suporte via IA
- Em serviços financeiros, a Sierra cobra por empréstimo originado ou procedimento pré-autorizado
Ao pagar por resultado, o CFO consegue calcular o custo por tarefa, compará-lo com o custo de trabalho humano equivalente e projetar o retorno com precisão. Não é mais quanto gastamos em créditos de IA este mês, mas cada atendimento resolvido custou R$ 3 e desafogou 40% das posições de suporte.
A OpenAI já cortou preços de API em até 80% nos últimos 18 meses — sinal de que a competição está empurrando o setor para modelos de cobrança que se aproximem do valor entregue, não do volume processado. Segundo Taylor, dentro de 12 meses, empresas que adotarem IA de forma consistente deixarão de usar tokens como unidade de referência nos orçamentos.
Por que isso importa para o seu negócio
Se você usa hoje ChatGPT, Claude ou Gemini via API, está pagando por token. O alerta de Taylor é que esse vocabulário vai mudar — e quem entender a lógica do pagamento por resultados IA antes do mercado geral estará em vantagem na hora de contratar, justificar investimentos e escalar operações com IA.
Há outro ângulo que Taylor levanta: ao usar agentes de IA em interações com clientes, a empresa está construindo um ativo composto — um acervo crescente de dados sobre comportamento, padrões de decisão e necessidades reais dos seus clientes. Esse ativo não some quando você troca de fornecedor. É um argumento para tratar a IA não como despesa operacional, mas como investimento em infraestrutura de dados proprietária.
Para gestores e empreendedores avaliando plataformas de IA, a pergunta certa deixou de ser quanto custa por token e passou a ser: quanto custa por tarefa concluída — e qual o valor gerado por ela?
Agentes de IA para negócios já resolvem tarefas que antes exigiam equipes inteiras. A entrevista completa com Bret Taylor está disponível em exclusivo CNBC via Times Brasil. O modelo de cobrança está se ajustando para refletir esse novo papel — e as empresas que entenderem isso primeiro sairão na frente.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fonte: Times Brasil / CNBC





