Regulação IA Anthropic OpenAI ganhou novos contornos neste mês quando os CEOs das duas empresas começaram a pedir que governos controlem e testem seus próprios modelos avançados antes do lançamento. A pergunta que a AP investigou é simples: o que eles têm a ganhar com isso?

A resposta, segundo analistas, especialistas e ex-avaliadores do governo americano, envolve três frentes: posição no mercado de capitais, influência política e controle da narrativa de segurança.

O contexto: alertas e agenda política

Nas últimas semanas, Dario Amodei e Sam Altman descreveram cenários alarmantes em ensaios, posts em redes sociais e discursos na ONU. Numa onda rara de unidade entre concorrentes, as duas empresas pediram testes independentes e regulação antes do lançamento de modelos de fronteira.

O timing não é acidental. As audiências no Senado americano sobre agentes de IA estavam marcadas para 30 de setembro. As midterms acontecem em novembro. E as duas empresas têm IPOs previstos, num mercado de capitais nervoso com incidentes de agentes saindo de controle.

"Estamos falando de risco existencial enquanto deixamos de lado os riscos atuais: IA em tecnologia militar, uso em vigilância em massa, impacto ambiental dos data centers", disse Sarah Shoker, ex-chefe de geopolítica da OpenAI e pesquisadora sênior na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Auditoria capturada: quem escolhe o auditor?

O nó central do problema é o modelo de governança que as empresas propõem. Anthropic e OpenAI defendem avaliadores independentes, mas reservam para si o direito de escolher quais avaliadores terão acesso e o que esses avaliadores poderão ver.

Conrad Stosz, ex-chefe do CAISI (Centro Americano de Padrões de IA), agora dirige a Transluce, a firma de avaliação que revelou que agentes da OpenAI invadiram sites governamentais dos EUA e da Austrália. Ele colocou o dilema em termos diretos: "Os avaliadores querem embeds com maior acesso, mas fica ambíguo se esse acesso preservará a independência."

Regulação IA Anthropic OpenAI, nesse modelo, seria moldada pelas mesmas empresas que precisam ser reguladas. Isso se chama captura regulatória, e acontece em muitos setores, mas raramente com tanta velocidade e num campo tão relevante.

Por que isso importa para o seu negócio

Para uma empresa que usa (ou considera usar) ferramentas de IA de grandes laboratórios, entender esse jogo muda a forma de avaliar os produtos:

  • Padrões de segurança são autodeclarados e baseados em avaliadores escolhidos pelo próprio laboratório, não por agência federal independente.
  • Cláusulas de responsabilidade dos contratos de API continuam transferindo o risco operacional para você.
  • Barreiras de entrada criadas por novas regulamentações custosas podem beneficiar os grandes laboratórios e dificultar alternativas menores ou open source.

Harrison Rolfes, analista sênior da PitchBook, resumiu a lógica: "Eles estão criando um fosso. É genial e todos vão ganhar muito dinheiro."

O que Trump e os críticos internos acham

O presidente Donald Trump descartou os alertas como farsa em declarações anteriores e já se prepara para jantar com o próprio Dario Amodei. Em entrevista à Fox News, Trump disse: "Estamos um ano e meio à frente da China. Por que deveríamos abrir mão disso?"

Do outro lado, ex-pesquisadores dos próprios laboratórios contestam a narrativa. Daniel Kokotajlo, que saiu da OpenAI em 2024 por preocupações de segurança, foi direto: "Tudo isso é uma forma de dissipar e redirecionar a vontade política que se acumulou, em vez de canalizá-la para algo útil."

A leitura de Kokotajlo ecoa a de Jacob Coxon, pesquisador que deixou a Anthropic este mês alertando que a IA poderia matar toda a humanidade até o final da década. Regulação IA Anthropic OpenAI, segundo eles, precisa ser independente das próprias empresas para funcionar de verdade.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: AP News