O S-1 da Anthropic, protocolado na SEC em 26 de outubro, já concentra mais análises comparativas do que muitos IPOs geram em meses. A empresa listou US$ 16,3 bilhões de receita no primeiro semestre de 2026, crescimento de 1.300% sobre o mesmo período de 2025, e revelou compromissos de infraestrutura que vão até 2045.

Um consórcio formado por Bank of America, Blackstone, Citigroup e Morgan Stanley vai financiar US$ 63 bilhões (cerca de R$ 340 bilhões) para a Anthropic comprar chips e equipamentos de rede da Broadcom. A estrutura cria uma sociedade de propósito específico que adquire os equipamentos e os aluga à empresa, com entregas previstas para 2027. O Bank of America, Citigroup e Morgan Stanley organizam o trecho sênior de US$ 43,5 bilhões, enquanto a Blackstone fica com a parcela de segunda garantia.

O crescimento que assusta e o que mudou no ritmo

A trajetória de receita da Anthropic é difícil de acompanhar no papel: US$ 41 milhões em 2023, US$ 386 milhões em 2024, US$ 4,6 bilhões em 2025 e US$ 16,3 bilhões só no primeiro semestre de 2026. Os números do S-1 da Anthropic indicam desaceleração: o crescimento trimestral caiu de 144% entre o primeiro e o segundo trimestre para cerca de 47% entre o segundo e o terceiro.

A própria empresa declara no documento que não espera manter esse ritmo. O prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões no 1S2026 assusta à primeira vista, mas US$ 72,4 bilhões são variações contábeis em instrumentos financeiros sem saída de caixa. O prejuízo operacional foi de US$ 693 milhões, melhora sobre os US$ 2,1 bilhões do 1S2025.

Por que isso importa para o seu negócio

A Anthropic é a empresa por trás do Claude, o modelo de IA concorrente do ChatGPT que avançou em usos corporativos como programação com agentes e análise de documentos médicos.

O S-1 da Anthropic revela que os cinco maiores clientes respondem por 25% da receita. Essa concentração significa que a empresa ainda depende de um grupo pequeno de corporações para sustentar o crescimento. Para pequenos e médios negócios que usam ou pensam em usar o Claude, o IPO muda o perfil da empresa: ela vai prestar contas a acionistas públicos e precisará mostrar crescimento consistente.

Analistas identificaram dois pontos em que a OpenAI pode ter vantagem quando abrir seu próprio S-1, previsto para 2027. O primeiro é o negócio de consumo: a OpenAI conta com 100 mil anunciantes cadastrados no ChatGPT e projetos de hardware com Jony Ive. A Anthropic declara no próprio documento que não pretende competir diretamente nesse segmento. O segundo é a velocidade de crescimento: fontes citadas pela Fortune esperam que o S-1 da OpenAI mostre aceleração, o que pode favorecer avaliações mais altas.

Governança e riscos que nenhum outro IPO declarou

A estrutura de governança da Anthropic é incomum entre empresas de capital aberto. Sete cofundadores, incluindo o CEO Dario Amodei e a presidente Daniela Amodei, mantêm 50,1% do poder de voto por meio de ações Classe F. Um Long-Term Benefit Trust, presidido por Neil "Buddy" Shah, detém ações que elegem a maioria do conselho. Reed Hastings, cofundador da Netflix, é o diretor independente líder.

O prospecto lista mais de 90 páginas de fatores de risco. Entre os mais incomuns: um grupo de hackers patrocinado pelo Estado chinês usou o Claude em uma operação com cerca de 30 alvos, caso que a Anthropic descreve como o primeiro documentado nesse formato. A empresa declara conflito com o governo Trump por recusar flexibilizar restrições de uso para vigilância doméstica e armas autônomas.

Há compromissos de capacidade computacional que se estendem até 2045, o que cria obrigações financeiras mesmo se a demanda cair ou se modelos mais baratos dominarem o mercado.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fontes: