Assinantes do Claude estão descobrindo que suas cotas de tokens foram consumidas sem nenhuma ação da sua parte. O responsável: infostealers, softwares maliciosos especializados em roubar credenciais e sessões autenticadas. Casos de tokens Claude roubados foram confirmados pela Anthropic, que realizou reembolsos parciais — mas o episódio expõe uma brecha estrutural no modelo de assinatura por tokens.

Como os tokens Claude roubados funcionam

O ataque não segue o caminho convencional de roubo de senha. Infostealers capturam chaves de sessão armazenadas no navegador — tokens de autenticação gerados após o login. Com essa chave em mãos, o criminoso acessa a conta como se fosse o próprio usuário legítimo, sem conhecer a senha.

O caso mais documentado é o de Grant De Swardt, consultor de IA do Reino Unido. Em 4 de agosto de 2026, ele notou consumo crescente de tokens mesmo após desativar todas as conexões. Monitorando o painel, registrou o consumo saltar de 45% para 55% em um intervalo curto e controlado — sem nenhuma ação sua. A Anthropic confirmou que uma chave de sessão havia sido comprometida e usada para gerar tokens OAuth não autorizados.

Após publicar a experiência no Reddit, De Swardt recebeu mais de 80 comentários de usuários com situações semelhantes: contas renovadas automaticamente sem autorização, tokens esgotando de zero a 100% em horas e limite máximo consumido durante três dias consecutivos. Relatos similares apareceram também no GitHub.

Por que isso importa para o seu negócio

Se você ou sua equipe usa o Claude para automação, programação ou tarefas administrativas, os tokens Claude roubados criam dois riscos imediatos:

Custo financeiro direto: A assinatura Claude Max custa US$ 200 por mês (cerca de R$ 1.000). Quando criminosos esgotam a cota, você perde capacidade operacional — e o reembolso pode ser apenas parcial. De Swardt recebeu £44,49, correspondente ao período restante do mês.

Exposição de dados e sistemas integrados: Agentes e automações que você configurou — como transferência de pedidos de compra, criação de sites ou análise de documentos — podem ser ativados por sessões comprometidas, com acesso a dados e sistemas conectados.

O problema estrutural identificado no caso é que a Anthropic fornece apenas o consumo total de tokens, sem relatório detalhado de quando e por qual agente foram usados. Isso permite que atividades não autorizadas passem despercebidas por semanas. Segundo a empresa de segurança Recorded Future, infostealers roubaram mais de 3,2 bilhões de credenciais em 2025, com plataformas de IA de alto valor tornando-se alvos prioritários.

De Swardt optou por cancelar a assinatura e migrar para o Cursor, que permite trabalhar com múltiplos modelos — incluindo alternativas de código aberto mais baratas. A Anthropic não se pronunciou sobre como usuários podem identificar uso indevido de suas contas.

Como se proteger agora

  • Monitore o consumo de tokens semanalmente, não apenas quando surgir problema
  • Revogue todas as sessões ativas no painel de configurações ao notar comportamento anormal
  • Ative autenticação de dois fatores e mantenha o antivírus atualizado para bloquear infostealers
  • Evite logar no Claude em computadores públicos ou compartilhados
  • Revise agentes e integrações ativas periodicamente para detectar atividade não esperada

Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: Olhar Digital