A AMD registrou um encargo contábil não monetário de US$ 1,07 bilhão no terceiro trimestre encerrado em 26 de setembro de 2026. O valor equivale a 66 centavos por ação e não representa saída de caixa: ele reflete o custo de warrants (direitos de compra de ações) concedidos à OpenAI e à Meta como parte de contratos de longo prazo para fornecimento de AMD chips de IA.
O que a AMD divulgou no terceiro trimestre
O maior dos acordos foi fechado em fevereiro deste ano. A Meta comprometeu a compra de até US$ 60 bilhões em chips ao longo de cinco anos. Em troca do volume, a empresa de Mark Zuckerberg recebeu warrants que podem resultar na aquisição de até 10% das ações da AMD, a preços que podem chegar a 1 centavo por papel. A diretora financeira Jean Hu disse que a diluição começa apenas quando condições de volume e prazo forem cumpridas, e que a AMD dará mais detalhes em 2027.
O acordo com a OpenAI, firmado antes, segue estrutura semelhante. A startup também pode adquirir até 10% da AMD caso as metas contratuais sejam atingidas. Além desses dois, a AMD fechou um contrato de fornecimento de chips com a Anthropic, que incluiu um compromisso de investimento da fabricante na empresa.
A estratégia de warrants que redefine o setor de chips
A AMD não está sozinha. A Qualcomm anunciou um contrato de US$ 60 bilhões com a Amazon para chips de data center e também emitiu warrants ao parceiro. A Marvell fez o mesmo com o Google, em arranjo que pode valer US$ 12,2 bilhões em participação futura. A Cerebras concedeu warrants à OpenAI em troca de um compromisso de US$ 20 bilhões em compras.
A lógica é direta. Em um mercado dominado pela Nvidia, fornecedores alternativos precisam reduzir o risco de adoção para grandes clientes. Ceder uma fatia futura da empresa alinha os incentivos: quanto mais o cliente compra, mais a empresa compradora se valoriza com a participação recebida.
O analista Bob O'Donnell, do TechAnalysis Research, reconheceu que parte das vendas se explica pelos incentivos financeiros, mas destacou algo maior: a demanda do mercado por uma alternativa robusta à Nvidia. Os AMD chips de IA chegam num momento em que OpenAI e Meta preferem não depender de um único fornecedor para escalar suas operações.
Veja também como a OpenAI planeja reduzir sua dependência da Nvidia e o investimento em infraestrutura AMD da Meta.
Risco de diluição: o que o mercado acompanha
Se os warrants forem totalmente exercidos, OpenAI e Meta obteriam, juntas, fatias relevantes da AMD por valores simbólicos. O mercado reagiu positivamente mesmo com o encargo bilionário: as ações subiram cerca de 8% no after-hours. Intel, Nvidia e Broadcom também avançaram, o que sinaliza que os investidores enxergam a estrutura como evidência de demanda real, não apenas de subsídio.
A AMD projeta crescimento mais rápido em 2027, impulsionado pelas vendas em data centers.
Por que isso importa para o seu negócio
Se você usa ou planeja usar infraestrutura de IA em nuvem, seja pelo OpenAI, pela Meta ou por qualquer provedor que dependa de hardware, este movimento tem impacto direto nos preços futuros.
A consolidação de contratos de longo prazo entre fabricantes de AMD chips de IA (AMD, Qualcomm, Marvell) e as grandes plataformas (OpenAI, Meta, Amazon, Google) indica que o setor está construindo cadeias fechadas de hardware. Para empresas menores, isso pode significar menos flexibilidade de fornecedor, mas também mais estabilidade de oferta, diferente da escassez de GPUs que marcou 2023 e 2024.
Um segundo fornecedor ganhando escala real tende a pressionar os preços de acesso à computação de IA para baixo nos próximos anos. Quem depende de APIs como a do ChatGPT ou das ferramentas da Meta pode sentir o reflexo disso nos custos de operação.
Fonte: Global Banking & Finance Review (Reuters, 3 nov. 2026).
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
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