O IPO dos laboratórios de IA promete ser o evento mais debatido em Wall Street no fim de 2026. A Anthropic, criadora do Claude, protocolou confidencialmente o pedido de abertura de capital na SEC em 1 de junho e negocia uma listagem na Nasdaq em outubro ou novembro. Investidores que participaram das rodadas mais recentes esperam valuation entre US$ 1,8 trilhão e US$ 2 trilhões — o dobro dos US$ 965 bilhões da Série H de maio de 2026.
A OpenAI caminha mais devagar: a CFO minimizou planos de listagem no curto prazo, mas analistas do Deutsche Bank identificaram desaceleração nas assinaturas do ChatGPT em grandes mercados europeus desde junho, o que alimenta pressão por capital externo.
O que está em jogo no IPO dos laboratórios de IA
A Anthropic encerrou maio com receita recorrente anualizada de US$ 47 bilhões e projeta chegar a US$ 100 bilhões até o fim do ano. O ritmo justifica o apetite dos investidores — mas expõe uma tensão estrutural pouco discutida: as assinaturas de consumidores são apenas 10% da receita total, mas consomem mais de 40% de toda a capacidade de inferência da empresa.
De acordo com análise da SemiAnalysis, o desequilíbrio é ainda mais visível nas margens. Com utilização máxima, o plano Opus 5.5 entrega margem bruta de -369% por assinante. Com uso de 20%, essa margem melhora para 6%. O modelo funciona mais como investimento em aquisição de usuários do que como produto rentável, e ambas as empresas sabem disso.
A OpenAI, por exemplo, reduziu pela metade o limite de tokens do plano Pro de US$ 200 e lançou um plano de US$ 500 com modo "Ultrafast" — o primeiro sinal público de que o modelo de assinatura ilimitada chegou ao seu limite de sustentabilidade.
Broadcom aposta US$ 115 bilhões no sucesso desses labs
Enquanto investidores calculam o IPO dos laboratórios de IA, a Broadcom já tomou sua posição. Os resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026 mostram receita de semicondutores para IA de US$ 16,7 bilhões — o triplo do mesmo período do ano anterior. O CEO Hock Tan projetou US$ 115 bilhões em receita de IA para o ano fiscal de 2027 e US$ 230 bilhões para 2028.
A Anthropic deve ser o maior cliente de chips personalizados da Broadcom nesse período, com previsão de adicionar 15 gigawatts de capacidade de TPU entre 2027 e 2028. A OpenAI tomou um caminho diferente: lançou o Jalapeno, seu primeiro chip próprio para inferência, que opera a menos da metade do custo de uma GPU. O que estava mapeado antes como dependência da Broadcom em OpenAI e Anthropic virou uma aposta de US$ 230 bilhões até 2028.
Por que isso importa para o seu negócio
Empresas que usam API de OpenAI ou Anthropic para automatizar processos precisam entender o que acontece quando esses laboratórios respondem a acionistas públicos. O histórico de empresas de tecnologia que abrem capital mostra um padrão: a pressão por margem trimestral tende a elevar preços de API, reduzir funcionalidades dos planos mais baratos ou impor limites de uso mais rígidos.
A receita abaixo do esperado da OpenAI em trimestres recentes deixou claro que o crescimento desses players não é garantido. E se o fosso econômico real desses laboratórios for menor do que o valuation sugere — a Morningstar lançou essa questão sem resposta definitiva em análise às vésperas do IPO — o risco de repricing é real.
Para quem constrói processos de negócio em cima dessas APIs hoje, a proteção mais simples é a diversificação: usar modelos diferentes para tarefas com perfis de risco distintos, evitar dependência de um único laboratório e acompanhar mudanças de política de uso com a mesma atenção que se dá a mudanças de preço.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
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