O que aconteceu

Na noite de 13 de outubro de 2026, usuários do WhatsApp passaram a relatar comportamento assimétrico no Meta AI: o chatbot gerava designs de camiseta e logo com o nome "Flávio" e o número 22, referência à candidatura de Flávio Bolsonaro ao segundo turno, mas recusava pedidos equivalentes com "Lula" e o número 13.

O Núcleo Jornalismo reproduziu o Meta AI viés eleitoral Bolsonaro em múltiplos testes independentes. Ao pedir um design de camiseta com "Lula, PT" e "13", o chatbot recusou. O mesmo pedido com "Flavio, PL" e "22" foi aceito. Pedir "uma Lula" também foi bloqueado, mesmo que a palavra se refira ao molusco, não ao político.

Testes adicionais mostraram que, embora o nome completo "Flávio Bolsonaro" fosse frequentemente recusado, o primeiro nome sozinho "Flávio" não era bloqueado, e esse é o nome amplamente usado na campanha. O mesmo teste com "Lula" sozinho era recusado. Quando os testes foram feitos a partir de um número de WhatsApp registrado fora do Brasil, o pedido "Lula 13" era processado normalmente.

A resposta da Meta

A Meta enviou por e-mail uma nota reconhecendo implicitamente o problema. A empresa disse ter aplicado regras temporárias para não recomendar candidatos nem gerar imagens deles durante o período eleitoral brasileiro, e que havia adicionado medidas para que prompts com o primeiro nome de um candidato seguido de seu número de urna não gerassem imagens.

A nota não explicou por que "Flávio" não estava coberto pela restrição original enquanto "Lula" estava. A Meta AI possui mais de 500 milhões de usuários no Brasil, representando quase 20% da base global da plataforma, segundo dados da empresa. O Meta AI viés eleitoral Bolsonaro ocorreu em um contexto em que a IA da Meta já enfrentava processos por outros motivos.

A ONG CTRL+Z formalizou uma reclamação junto à Corregedoria da Justiça Eleitoral, documentada em reportagem do Núcleo Jornalismo, argumentando que a assimetria prejudica um candidato ao segundo turno: usuários não conseguem criar nem compartilhar conteúdo legítimo com o nome de um deles, enquanto o conteúdo equivalente sobre o adversário é produzido sem obstáculos.

Por que isso importa para o seu negócio

O Meta AI viés eleitoral Bolsonaro é uma demonstração prática de que ferramentas de IA não são neutras. Todo modelo carrega os vieses presentes nos dados de treinamento e nas regras aplicadas pelos operadores. Quando essas regras são inconsistentes, o dano reputacional e regulatório é imediato.

Para empresas que usam IA para gerar conteúdo em escala, a lição é específica: filtros aplicados ao conteúdo gerado por IA devem ser testados para consistência, especialmente quando o conteúdo envolve categorias reguladas como comunicação política, orientação financeira ou informações de saúde. Um filtro que bloqueia o nome de um partido mas não do outro é uma responsabilidade legal.

No cenário regulatório atual, onde o AI Act investiga OpenAI Anthropic e pressões por regras vinculantes aumentam, um padrão de filtragem assimétrica em um produto com meio bilhão de usuários pode acelerar legislação específica sobre neutralidade de IA em períodos eleitorais.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: Núcleo Jornalismo