A OpenAI alertou Polícia Federal brasileira, no início de outubro de 2026, que havia identificado no ChatGPT conversas em que pelo menos 2 usuários expressaram intenção de atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa agiu dentro do seu plano de conformidade eleitoral e também notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As ameaças registradas no ChatGPT
O caso mais detalhado envolve um usuário que conversava com o ChatGPT desde janeiro de 2026, acumulando mais de 9 meses de histórico antes da detecção. Em setembro, ele descreveu ter visto Lula em um palanque de campanha a cerca de 400 metros e disse ter sentido vontade de atirar. Nas mensagens, perguntou sobre as consequências de matar o presidente, incluindo penas de detenção, e enviou a foto de um local com bom ângulo de tiro.
O usuário menciona um fuzil de precisão, um AR-15 com luneta, binóculos e rota de fuga. O histórico também incluía imagens de armas brancas com intenção de agredir pessoas próximas, símbolos nazistas e a afirmação de que promoveria um massacre se tivesse dinheiro, além de uma receita de explosivo e menções a ataques a centros médicos.
O mesmo usuário alternava entre afirmar que não agiria e registrar intenções violentas explícitas. A OpenAI destacou essas contradições ao encaminhar o material para a Polícia Federal.
Como a OpenAI age quando identifica ameaças reais
A empresa tem uma política explícita: comunica as autoridades quando as conversas indicam risco real de danos a terceiros. No início de outubro, encerrou a conta, enviou os dados à Polícia Federal e recomendou avaliação independente pelas autoridades competentes.
Em resposta à Folha de S.Paulo, a OpenAI afirmou que o repasse de informações visa "proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços". Quando a OpenAI alertou Polícia Federal com esses dados, o caso foi encaminhado também ao Ministério da Justiça, que deve abrir 2 inquéritos: um por ameaça e injúria e outro por ameaça específica ao presidente. O crime de ameaça prevê detenção de 1 a 6 meses ou multa.
O país se tornou um laboratório para o uso de IA em contextos eleitorais. Já houve casos documentados de viés na Meta AI e alertas sobre interferência em campanhas. Esta é a primeira vez que a empresa criadora do ChatGPT repassa diretamente à PF dados de usuário por ameaça a candidato.
Por que isso importa para o seu negócio
Para empresas que usam modelos de linguagem, seja via API ou produtos como o ChatGPT, o caso mostra como as plataformas de IA monitoram e armazenam conversas. Os dados são retidos e podem ser usados para identificar comportamento nocivo ou ilegal.
Toda conversa feita em ferramentas de IA pode ser auditada pelo provedor. Para contextos sensíveis (jurídico, médico, financeiro), políticas de retenção de dados e privacidade devem ser verificadas antes de adotar qualquer plataforma. A OpenAI retém dados por até 30 dias mesmo quando o histórico é desativado.
Quando a OpenAI alertou Polícia Federal, os documentos entregues incluíam 9 meses de histórico. Para quem usa IA no ambiente corporativo, o recado é direto: conversa em plataforma de terceiro é dado de terceiro.
O próximo passo da investigação
A Polícia Federal encaminhou o caso ao Ministério da Justiça. O Ministério e a PF não se manifestaram até a publicação. Os documentos obtidos pela Folha não mostram as respostas que o ChatGPT deu ao usuário nesses diálogos.
Este caso chega em um momento em que a regulação de IA está em debate intenso. No Brasil, a OpenAI IA eleições 2026 ganhou destaque como exemplo global de uso de inteligência artificial em pleitos eleitorais.
Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.
Fonte: Olhar Digital





