A comparação surgiu numa entrevista à CNBC e correu o mercado: Gary Marcus, professor emérito de ciência cognitiva na Universidade de Nova York, disse em entrevista à CNBC que o cenário da OpenAI WeWork da IA não é exagero. Para ele, a trajetória da empresa repete, ponto a ponto, o roteiro que derrubou a startup de coworking em 2019.

O argumento: IPO adiado e avaliação trilionária

Marcus apontou o IPO repetidamente adiado como o sinal mais preocupante. A OpenAI acumula uma avaliação trilionária sem receita proporcional para sustentá-la — a mesma desconexão que definiu o caso WeWork. A startup de coworking prometia crescimento exponencial, subia a avaliação a cada rodada e nunca completou a oferta pública. Acabou vendida a preço de liquidação.

O maior risco que Marcus enxerga na tese OpenAI WeWork da IA não é uma falência abrupta. É algo mais silencioso: a empresa não consegue sustentar a avaliação e acaba vendida com desconto, provavelmente para a Microsoft, que já é o maior investidor. Uma das maiores apostas de capital da história da tecnologia viraria uma aquisição estratégica barata.

A comparação ganha peso porque o IPO da Anthropic também levanta questões parecidas — a corrida por avaliação sem retorno claro é um padrão no setor, não uma exceção.

A produtividade que não chegou

O alerta de Marcus não é só especulação de mercado. Ele citou um estudo do Bank of England com cerca de 10.000 tomadores de decisão empresarial. O resultado: os ganhos de produtividade com IA generativa, até agora, foram limitados. Empresas gastaram bilhões em infraestrutura e assinaturas; o retorno mensurável ainda não apareceu nas contas.

Esse dado importa porque a avaliação da OpenAI depende de projeções de crescimento futuro, não de fundamentos presentes. Marcus vai além: a confiança do mercado na IA generativa pode ser tão relevante quanto os números financeiros. Se a confiança balançar antes de a produtividade materializar, o ciclo se fecha depressa.

A bolha da IA já preocupa analistas: as grandes techs perderam US$ 4,8 trilhões em valor de mercado no terceiro trimestre de 2026 enquanto o mercado cobrava retorno dos gastos com IA.

Nvidia e neoclouds: onde o estresse se espalha

Marcus foi cuidadoso com a Nvidia. Disse que a empresa é bem administrada. Mas levantou a pergunta que o mercado evita fazer em voz alta: a demanda por chips de IA é infinita? E os clientes da Nvidia conseguirão lucrar com eles?

As mais expostas são as neoclouds — empresas que alugam infraestrutura de GPU para treinar e rodar modelos de IA. Com o custo de capital subindo, qualquer desaceleração na demanda comprime as margens e pode espalhar o estresse pelo ecossistema inteiro. O debate sobre a OpenAI WeWork da IA toca, portanto, toda a cadeia de fornecimento do setor.

Por que isso importa para o seu negócio

Você não precisa ser investidor para ser afetado. Parte do preço que você paga por ferramentas de IA financia a corrida por avaliação — não necessariamente os recursos que você usa hoje. Empresas com avaliações infladas tendem a cortar produtos não essenciais, mudar preços ou ser absorvidas quando o ciclo vira.

A analogia da OpenAI WeWork da IA não é um chamado para parar de usar IA. É um aviso para diversificar fornecedores, testar alternativas e não depender de uma única plataforma — independentemente de o IPO sair ou não.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

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