O recado de Sacks: Anthropic e OpenAI, parem sem pedir favores

A regulação de IA entrou em novo capítulo em 13 de setembro de 2026. David Sacks, que passou 15 meses como o primeiro czar de IA e criptoativos da Casa Branca — e hoje preside o Conselho de Assessores do Presidente sobre Ciência e Tecnologia —, publicou um recado direto para Dario Amodei (Anthropic) e Sam Altman (OpenAI): as empresas podem desacelerar quando quiserem. Não precisam de permissão do governo, isenção antitruste, nem da formação de qualquer cartel.

O contexto é este: dias antes, Amodei publicou um extenso ensaio pedindo que a indústria "pause a fronteira" do desenvolvimento de modelos de IA. Altman concordou publicamente no X. Junto com o apelo vinha uma lista de demandas: isenção das leis antitruste (para que os laboratórios possam coordenar coletivamente uma desaceleração sem violar a lei de concorrência) e um regime especial de aprovação regulatória.

Sacks rejeitou as duas exigências. Sua posição sobre regulação de IA é direta: "O jeito mais fácil de não construir superinteligência é vocês concordarem em não construir." As duas empresas já controlam a fronteira da IA — não precisam de aprovação para parar. Segundo o ex-czar, pedir uma isenção antitruste para desacelerar equivale a "pretender que a lei antitruste precisa ser suspensa para que vocês possam formar um cartel".

Por que a regulação de IA importa para o seu negócio

Para quem usa Claude, ChatGPT ou qualquer ferramenta de IA no dia a dia da empresa, esse debate pode parecer distante. Mas a estrutura de regulação de IA que emergir desta disputa vai definir o ritmo de lançamentos de novos modelos, os níveis de segurança exigidos e as responsabilidades legais de quem usa e distribui essas ferramentas.

Sacks propõe que a responsabilidade civil de produto e as pressões de mercado já são suficientes: quando um modelo de IA facilita ataques cibernéticos ou causa danos documentados, a empresa que o criou enfrenta processos por negligência de produto. Sistemas que se comportam de forma imprevisível perdem clientes — punição automática de mercado. A análise completa de Sacks sobre regulação de IA está disponível no The Next Web.

Esse modelo tem implicações diretas: se prevalecer nos EUA, a inovação continua acelerada sem licenças prévias. Mas para quem implanta IA, a responsabilidade aumenta — usar IA com descuido em processos críticos (atendimento, finanças, contratação) passa a ser um risco legal compartilhado com o fornecedor do modelo.

Sacks também questiona a imparcialidade do METR, avaliador de segurança utilizado pela Anthropic, argumentando que a entidade está entrelaçada com investidores e funcionários da própria empresa que avalia — o que compromete a lógica de qualquer regime de aprovação.

O pano de fundo: alarmes internos na Anthropic

Dois eventos precipitaram o debate. Em 8 de setembro de 2026, um pesquisador de pré-treinamento saiu publicamente da Anthropic, denunciando que o setor estava "apostando com as vidas das pessoas" na corrida à superinteligência. Em seguida, Evan Hubinger, líder de ciência de alinhamento da empresa, declarou estimar probabilidades de extinção humana causada por IA acima de 10% em uma década.

Sacks não minimiza os riscos, mas discorda da solução: a resposta certa para a regulação de IA não pode ser criar um oligopólio que congele a competição em favor de quem já domina o mercado.

O modelo europeu: regulação de IA dual já em curso

Enquanto os EUA ainda debatem o caminho, a Europa já escolheu dois simultaneamente. A partir de 9 de dezembro de 2026, novas regras europeias tratam software autônomo e sistemas de IA como produtos sujeitos a responsabilidade estrita — quem for prejudicado não precisa provar negligência para processar. Ao mesmo tempo, o Regulamento de IA da UE, em vigor desde agosto de 2025, permite multas de até 3% do faturamento global por violações de risco sistêmico.

Para empresas brasileiras que atendem clientes europeus ou exportam serviços digitais, essas regras de regulação de IA já são uma realidade. A Europa testará exatamente o que Sacks defende — se responsabilidade civil basta ou se regimes de aprovação são necessários. O resultado influenciará a regulação de IA globalmente, inclusive no Brasil.


Conteúdo reescrito e traduzido para PT pela redação luiscortex, revisado por humano.

Fonte: The Next Web